Há pouco mais de dois anos, o Real Madrid vivia seu momento de maior glória recente: a décima quinta Liga dos Campeões da história e a chegada, finalmente, de Kylian Mbappé de graça, vindo do Paris Saint-Germain. A expectativa era de um ciclo vitorioso prolongado. Hoje, segundo reportagem do jornal britânico The Athletic, o clube enfrenta uma realidade bem mais complicada, e o centro do problema está justamente na dupla que deveria liderar o novo projeto: Mbappé e Vinicius Junior.
O período que se seguiu à conquista europeia trouxe frustração em vez de continuidade. Vinicius Junior, cotado para vencer a Bola de Ouro, viu o prêmio ir para Rodri, do Manchester City, numa decisão que gerou forte reação dentro do Santiago Bernabéu. Enquanto torcedores acompanham os bastidores do clube merengue em busca de entretenimento e distração, muitos encontram em plataformas como o espaço de slots com jackpot uma forma de diversão paralela ao drama esportivo que se desenrola sem pausa nos últimos meses. Jude Bellingham, por sua vez, teve uma primeira temporada de alto nível, mas o conjunto como um todo não sustentou o padrão esperado: dois anos sem títulos importantes, quatro treinadores diferentes no comando e até uma eleição presidencial antecipada em junho.
Por trás das derrotas e da instabilidade técnica, cresceram críticas internas sobre a falta de um meio-campista criativo desde as saídas de Toni Kroos e Luka Modric, e sobre a dificuldade de encaixar as principais estrelas do elenco em campo. Nenhum sintoma dessa disfunção é mais evidente do que a incapacidade de Mbappé e Vinicius Junior formarem uma parceria ofensiva fluida - um problema que, segundo fontes ouvidas pelo The Athletic, é "relacionado ao futebol e ao ego, mas é, antes de tudo, um problema futebolístico".
Números que preocupam e um vestiário sob observação
Mbappé soma oito gols e duas assistências em oito jogos nesta temporada, mas não balançou as redes nas duas derrotas do time e ainda desperdiçou um pênalti diante do Real Betis. Vinicius Junior, por sua vez, marcou apenas uma vez e deu três assistências no mesmo período - números que acendem um alerta natural num clube acostumado à another métrica de excelência. Apesar disso, pessoas próximas a Mourinho garantem que o técnico português nunca cogitou seriamente tirar o brasileiro da equipe titular, contrariando especulações da imprensa espanhola.
A queda de rendimento também alimentou teorias nas redes sociais, incluindo especulações sobre uma cirurgia estética recente no queixo de Vinicius Junior - hipótese sem qualquer comprovação e não respondida oficialmente pelo clube ou pelos representantes do jogador. Fora de campo, episódios como o passeio de bicicleta de Mbappé durante recuperação de lesão também geraram ruído, levando Mourinho a classificar a polêmica como "ridícula" em coletiva.
O problema tático: os dois ocupam o mesmo espaço
Mapas de movimentação e de passes compilados pelo The Athletic mostram que Mbappé e Vinicius Junior tendem a gravitar para a mesma região do campo, o lado esquerdo, desde a chegada do francês ao clube. Essa sobreposição dificulta a construção de jogadas e compromete o equilíbrio defensivo, já que nenhum dos dois se destaca pela intensidade na marcação. Um ex-membro de comissão técnica do clube foi direto: "Ou ocorre uma mudança estrutural, ou os jogadores ficarão incapazes de evoluir".
Mourinho tenta contornar o impasse com ajustes táticos. Ao abandonar o tradicional 4-4-2 em favor de um 4-2-3-1 mais compacto, o treinador busca reduzir o desgaste defensivo exigido dos dois atacantes, mantendo-os afiados ofensivamente sem sobrecarregá-los. Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa já haviam tentado fórmulas distintas, sem sucesso duradouro.
Relação pessoal boa, mas falta sintonia em campo
Fontes consultadas garantem que Mbappé e Vinicius Junior mantêm uma boa relação pessoal fora das quatro linhas. O problema, dizem, é estritamente futebolístico: "Eles se dão bem, mas não se entrosam dentro de campo". Há ainda quem aponte um desconforto do brasileiro com o apoio institucional recebido por Mbappé na corrida pela Bola de Ouro, tema que, segundo relatos, já foi discutido abertamente no vestiário.
Com o Real Madrid seis pontos atrás do Barcelona no Campeonato Espanhol e o primeiro clássico da temporada se aproximando, em 25 de outubro, Mourinho tem pela frente talvez o desafio mais delicado de sua segunda passagem pelo Bernabéu: decifrar como extrair o melhor de dois craques que, juntos, ainda não encontraram o caminho para potencializar um ao outro.